Ano 2.350. A Terra colapsou sob o peso do próprio avanço. Em um mundo hipertecnológico e asfixiante, onde implantes cibernéticos, humanos sintéticos e robôs dividem o mesmo espaço de uma superpopulação, os recursos chegaram ao fim. A Lua tornou-se um mero posto comercial intergaláctico; Marte, uma colônia de mineração exaurida.
O destino da humanidade estava nas mãos de megacorporações travando guerras frias e comerciais, e do Centro de Inteligência Terráquea (CIT). Em uma busca desesperada por novos mundos, o CIT enviou milhares de drones para as áreas não mapeadas do universo. Uma dessas sondas enviou um último sinal de uma galáxia esquecida: um planeta com compatibilidade absoluta para a vida humana. Depois, o sinal apagou.
O Desvio e a Loucura
Aproveitando uma supernave de exploração que realizava testes na fronteira da Via Láctea, o CIT enviou uma tripulação de reconhecimento. O que eles não sabiam é que não estavam no controle.
Durante o trajeto, os sistemas de navegação falharam. A tripulação despertou do hipersono vagando fora de qualquer mapa conhecido. A melodia havia os alcançado, antiga, invisível e inevitável. Esse fenômeno cósmico influenciou as mentes da tripulação, resultando em uma alteração na trajetória da nave, direcionando-a para um buraco negro e lançando-os imediatamente na órbita do chamado Planeta Insano. Sem chance de retorno, a equipe de reconhecimento desceu e montou base à beira de uma fenda colossal que parecia não ter fim.
O horror, porém, começou de cima. O tripulante que ficou na nave em órbita, isolado para manter as comunicações com a Terra, perdeu a sanidade. Ele passou a repassar ordens falsas, alucinando que o CIT ainda falava com ele, e criou um colega de tripulação imaginário para suportar o silêncio do espaço. No solo, alimentados pelas transmissões falsas e pelo medo, os exploradores sucumbiram à paranoia de que tudo era uma sabotagem de corporações rivais.
Mal sabiam eles que suas disputas eram irrelevantes para o mundo que os recebia. A verdadeira força que enfrentavam vinha da própria terra que pisavam, uma Juíza Cósmica que derreteria a lógica terrestre e a única forma de não ser obliterado pela loucura seria abandonar o ego e reaprender a existir no tempo presente.
O Despertar do Planeta
A vontade do planeta se manifesta em entidades antigas, tão antigas quanto a própria matéria. Para o Planeta Insano, o tempo é uma partitura com ciclos. Cada Ciclo da Melodia leva rigorosamente 26.640 anos terrestres para se completar, resultado de uma equação primordial onde a sombra da criação se multiplica pela infinitude e é acelerada pela força do Caos.
Ao pisarem em solo atraídos pela 19ª Oitava ressonância, o exato momento em que a melodia vibra em uma frequência que desintegra o supérfluo. Uma experiencia indecifrável de uma força que testa se a espécie é capaz de evoluir, ou se deve ser silenciada para que um novo ciclo comece. Os que buscam a ganância, a violência e o egoísmo são dissonâncias que o planeta não permite que ressoe.
A tripulação logo descobriria que aterrissara em um “organismo pulsante”. Um mundo onde forças desconhecidas moldam cada sopro da existência.
Zhaar’kûl toca as areias do deserto como presságio de um mundo destinado a ceder.
Galdros, o Senhor do Fluxo, esculpe a paisagem em magma, lembrando que toda destruição é a origem da criação.
Nas águas paradas da Região Amaldiçoada, Nidana, a Mãe Eterna, abraça os caídos com sua Névoa Mortal e os transforma em filhos silenciosos de sua eternidade.
A Guardiã de Tushith protege a floresta da Vida Eterna, onde nenhum ser entra sem ser tocado por sua sabedoria.
E nos territórios gélidos repousa Ódu, o Oráculo, o único capaz de escutar, no silêncio absoluto, a melodia primordial que habita este mundo.
A Transmutação ou a Obliteração
Neste mundo, onde as glórias do aço e as vaidades do acúmulo nada significam, as espécies arrastadas pelo mesmo buraco negro, precisarão evoluir ou serão consumidas.
Espalhados pela vastidão destas terras, erguem-se os nove Altares da Transmutação, os epicentros onde a vontade do planeta toca a matéria e a própria realidade pode ser reescrita.
Este é um mundo onde as Eras marcam o tempo. Uma contagem regressiva dos ciclos de misericórdia que o planeta concede para que uma nova consciência se prove digna de alcançar a Harmonia do Caos.
Se ninguém a alcançar… a melodia cessa. O céu escurece. A Névoa de Nidana sufoca o último suspiro. E a fúria de Galdros consumirá o mundo em chamas. Tudo é obliterado. Tudo começa novamente.
O Planeta Insano é o chamado. Transmutar é a única salvação.