Amanda Ramos

Órbita Criativa — Planeta Insano

Amanda Ramos nasceu e cresceu na selva de pedra de São Paulo, um território de concreto onde aprendeu cedo a observar as sombras da sociedade. Praticante da bruxaria natural, ela encontra no desenho tradicional a sua verdadeira voz, construindo uma obra autoral que evoca o feminino obscuro, o horror psicológico e a ancestralidade folclórica. Seu traço em nanquim desenha formas; revela hachuras densas, que remetem à xilogravura, e evocam símbolos antigos que resistiram ao tempo.

Carta escolhida

Ao assumir a transmutação da carta Maldição dos Mortos, Amanda mergulhou nos pântanos densos e enevoados do Planeta Insano. Para materializar a sentença de Ciani — a Juíza da Obliteração —, ela criou uma obra-prima de atmosfera gótica, capturando o exato momento de lucidez antes da loucura e do fim. Vemos a entidade segurando um espelho que reflete não o seu rosto, mas um crânio, enquanto a única cor que quebra o preto e branco é o roxo venenoso da beladona e de seus olhos.

A Obra: A Névoa de Ciani

Ao dar vida a uma nova arte, os símbolos são os primeiros que se manifestam, pois têm significados ancestrais, mas também da minha própria jornada. E quando os signos se entrelaçam, a alquimia e a magia da nova arte acontecem se tornando única. Escolhi ilustrar o horror psicológico que acontece entre a lucidez e a loucura do fim tomado por uma névoa, onde a pessoa é obrigada a olhar pela última vez para si. A Ave Mensageira (o corvo) tem uma aura inevitavelmente sinistra […] e evoca a mortificação de no final sermos reduzidos a ossos da veracidade psicológica.” — Amanda Ramos

Fale diretamente com a artista para encomendas e originais.

Declaração do Artista

Ao dar vida a uma nova arte, os símbolos são os primeiros que se manifestam, pois tem significados ancestrais, mas também da minha própria jornada. E quando os signos se entrelaçam, a alquimia e a magia da nova arte acontecem se tornando única. E para consagrar esse processo, elejo três chaves simbólicas para desvendar, busco a sabedoria no livro dos símbolos mergulhando em sua essência, aprofundo minha própria intuição.

“Eu te condeno ao presente. A um único momento de lucidez antes que a névoa o consuma.” – Ciani, a Juíza da Obliteração

O Espelho Revela

“O instante deve ser vivido no agora, pois o depois pode ser tarde demais.” É refletido no espelho enquanto nos olhamos no presente, o reflexo é do agora. Mas a ilusão óptica nos sugere entre o eterno e o efêmero, uma energia magnética de mistério em uma ferramenta mágica, transmitida pelo vazio da vaidade perante a face da morte inevitável.

A Cor Púrpura

Do grego antigo, pensava-se ser a cor adequada para honrar os deuses mais temidos do submundo. Uma mistura vinda de duas primárias: o vermelho da paixão terrena equilibrada ao azul da razão celestial. A união de dois opostos dentro de um indivíduo, como o fim do conhecido e o início do desconhecido.

A Ave Mensageira

Os Corvos tem uma aura inevitavelmente sinistra, como anjos negros que estabelecem o equilíbrio da ordem natural. Eles não esperam que os portais se abram, eles os abrem com seus bicos afiados como facas, que arrancam olhos de cadáveres e evocam a mortificação de no final sermos reduzidos a ossos da veracidade psicológica.

Sobre Amanda Ramos

Formada em Desenho de Moda pela FASM e com Licenciatura em Artes Visuais pela FPA, Amanda consolidou sua prática como professora de desenho em estúdio de arte. Cria ilustrações para encomendas personalizadas, capas e miolos de livros de autores independentes, além de logotipos e objetos artesanais.

Cada obra sua nasce como um ritual, onde a tinta e o papel trazem à tona o oculto daquilo que durante séculos tentou ser apagado. Sua arte nos ensina uma dura e bela lição que ela própria aprendeu com a vida: o instante deve ser vivido no agora, pois o depois pode ser tarde demais.

Conexões Oficiais

Território & Processo

A criação continua no gesto, no território e no encontro.

Compartilhar:

Deixe uma Resposta